Cada dia que passa sinto que este sentimento cresce cada vez mais, começo a pensar que não existe limites para os sentimentos...
Gosto de me relembrar de todo o que já passámos, as coisas más e sobretudo as coisas boas. Mas lembro-me também antes de começarmos a namorar. Acho que pela primeira vez, vou escrever tudo para depois recordar...
Tudo começou com o 10º ano, foi o dia de apresentação. Era uma simples rapariga com 15 anos, infantil e sem qualquer maturidade, era ingênua e acreditava demasiado nas pessoas. Uma rapariga que não acreditava nela própria nem nas suas qualidades. Não acreditava no amor verdadeiro, mas sonhava com ele. Não sabia o que era o amor. E por fim não tinha noção do que as minhas atitudes podiam provocar.
Entrei dentro da sala com o meu grupo, entrámos à palhaçada como era o normal.
Tu estavas numa mesa sozinho, vestias algo preto como é normal. Estavas calado. Estavas no teu mundo, como se nós não tivéssemos a fazer aquele barulho todo. Chegou a hora da apresentação e tu não querias dizer o teu nome, nem sequer querias falar. Ao principio pensei "Mas quem ele pensa que é?", depois surgiu uma enorme curiosidade em querer saber mais.
E chegou o primeiro dia de aulas. Entramos às 8:15 e como era normal, eu e os outros chegávamos bastante cedo e nessa altura tu também. Estavas sozinho. Eu queria ser simpática e dar uma boa impressão e fomos ter contigo para vires para o pé de nós. Fiquei surpresa por ter levado um não como resposta.
Ao princípio, foram estas situações que despertaram a minha curiosidade, sempre tive uma paixão por mistérios e gosto de os tentar desvendar.
Mas depois...
Aproximei-me de outras pessoas e à tua volta foram acontecendo algumas coisas. Acabei por esquecer todo aquele mistério...
Os meses foram passando, uma amiga minha começou a gostar de ti, começaste a andar com outra rapariga e eu comecei a ter uma crush num rapaz...
Por alguma razão vinda assim do nada, como se fosse destino, aquelas brincadeiras que eram normais com todos começaram a ser habituais e diferentes contigo. Comecei a tentar afastar-me daquilo que me fazia mal e como uma força que estava além do meu controlo comecei a aproximar-me de ti.
Nunca me vou esquecer de gozares comigo por eu não conseguir fazer cara de má. Aquelas aulas de MACS significaram mais para mim do que possas imaginar.
Mas não me vou esquecer de como realmente tudo começou...
Foi exatamente numa aula de MACS, eu estava chateada com alguma coisa e como era normal eu tentava esconder, mas nesse dia foste o único que se apercebeu que algo não estava bem. Fizeste aquela pergunta tão simples "O que se passa?" mas que me fez o coração palpitar, naquela altura pensei por medo...
Seguiu-se uma aula de educação física e por alguma razão mágica calhaste o meu par a dançar. Enquanto dançávamos íamos falando e de repente toda aquela curiosidade voltou, e aquele bichinho dentro de mim voltou a andar às voltas para descobrir o mistério.
Cheguei a casa adicionei-te no skype como tinha prometido e a partir daí tornou-se um hábito falar contigo todos os dias. Comecei realmente a conhecer-te e aos poucos fui desvendando os mistérios (apesar de saber que ainda existem alguns por desvendar), comecei a conhecer-te para além de todas as paredes que construíste, para além de todos os muros e de todas as armaduras. Em contra partida, deixei que também me conhecesses a mim e ao meu mundo.
As aulas começaram a ser diferentes, as piadas que nós partilhávamos, as pequenas coisas que no fundo tinham um significado enorme. As aulas de educação física, em que me ajudavas, eras o meu anjo.
Não me posso esquecer das festas da cidade, em que me fizeste companhia por ser a única a não querer ir andar no kanguru, em que me levaste a casa porque tinhas medo que algo me acontecesse. Lembro-me de termos ficado os dois a ver o Herman a cantar. Mas o melhor foi ver o fogo de artifício ao teu lado.
Acabou a escola, mas já era tão normal falarmos todos os dias e a quase toda a hora. Lembro-me de sair com a minha mãe e de passar a noite agarrada ao telemóvel por estar a falar contigo, até ficar sem bateria e roubar o telemóvel à minha mãe para continuar a falar contigo. Lembro-me de ficar acordada até às tantas agarrada ao telemóvel.
E o pior é que fui tão estúpida para não perceber esta necessidade de querer falar contigo, de estar sempre em contacto contigo. Não sabia o que era o amor. Não sabia o que era gostar de alguém. Ainda por cima para alguém que está numa fase sem sentimentos, começar a sentir alguma coisa foi complicado.
Assustei-me.
Fui parva.
Fui idiota.
Afastei-me.
Digo-te que durante 2 meses que não falei contigo, não houve um dia que não quisesse perder todo o orgulho e mandar-te uma mensagem, ou falar pelo skype. Senti mais a tua falta do que possas imaginar. Houve dias que até sonhei contigo.
Em setembro, um novo ano lectivo, e mudaste de turma. Quando te via e não falava contigo uma parte de mim morria por dentro. Não gostei, não apoiei, nem nunca vou apoiar essa mudança.
Ganhei coragem e aos poucos fui ganhando a tua confiança. Ao princípio foi difícil. Estavas magoado. Não te condeno por isso. Eu própria tive vontade de me bater.
E tudo isto sem saber que gostava de ti. Sem saber o que realmente este sentimento queria dizer.
A emoção de falar contigo voltou, aquela felicidade incontrolável só de receber uma mensagem tua.
Até que um dia na camioneta, estava a falar contigo por mensagem. E uma amiga reparou. Nesse momento ela chamou-me e perguntou-me diretamente "Tu gostas dele?" Aquela pergunta deu-me a volta à cabeça. Mas foi naquele momento que ganhei a coragem de perceber aquilo que sempre esteve à vista e eu nunca reparei, aquilo que esteve sempre ali e eu feita parva não vi. Respondi que sim. E foi uma das maiores certezas da minha vida.
Pensei que era tarde demais. Que tinha percebido muito tarde. Tu não ias esperar por mim tanto tempo. Pensei que tinha deixado escapar a minha oportunidade de ser feliz. Mas estava feliz porque antes de gostar de ti. Gostava da nossa amizade. Eu sentia que antes de qualquer sentimento tu eras como um melhor amigo. Daqueles que não se pode perder.
Lembro-me de começarmos a falar da pessoa que eu gostava. Eu falava de ti e tu não percebias. Conseguiste pensar em toda a gente menos em ti. Até o dia em que me disseste "Eu aqui a dizer toda a gente, mas ainda não pensei em mim" E eu do outro lado, com um sorrisinho e a pensar "Sim és tu" mas nem disse que eras nem disse que não.
Continuou tudo assim, as conversas diárias e a toda à hora, as piadas privadas, começamos a picar-nos.
Chegou um dia em Fevereiro em que disseste que tinhas algo para me contar, querias me dizer pessoalmente porque querias ver a minha reação. Mas eu sou uma pessoa curiosa e consegui que me dissesses por mensagem. Foi nessa dia que disseste que gostavas de mim, que gostavas de mim há mais tempo que eu imaginava. Tu pensavas que eu ia logo dar-te para trás e dizer que não queria nada. Mas eu não o fiz. Eu precisava de perceber o que realmente era isto que sentia. Sabia que gostava de ti, mas seria o suficiente? Tive dúvidas do que fazer. Tive medo. Mais uma vez. Tive medo de me magoar. Tive sobretudo medo de te magoar. Voltei atrás. Disse que preferia ficar tua amiga.
Nem um dia passou para me arrepender daquilo que tinha feito. Foi a pior semana da minha vida em que não falei contigo. Em que te via na escola e tu ignoravas-me. Não conseguias estar perto de mim, pelo que me disseste mais tarde. Para mim tornava-se cada vez mais doloroso não falar contigo. Não aguentei. Percebi que ficava pior longe de ti. Percebi que precisava de ti. Percebi que gostava realmente de ti.
E mais uma vez tu deste-me a oportunidade. Agradeço-te tanto por isso. Estive tão perto de te perder para sempre. Mas felizmente percebi que valia a pena arriscar. Porque tu vales a pena tudo e mais alguma coisa.
Já aconteceu tanta coisa depois disso.
Por mais coisas que aconteçam voltamos sempre um para o outro e eu sinto que cada dia que passa te amo mais.
Cada dia que passa tenho mais a certeza que encontrei o meu amor verdadeiro, que encontrei o tal. E tenho a certeza que não preciso de mais ninguém na minha vida. És o primeiro e o último.
Devia ser crime amar-te desta maneira. Amar-te de uma maneira que só te quero para mim. Quero saber de ti a toda à hora. Quero estar contigo todos os dias que possa. E um minuto que seja que estou longe de ti, sinto saudades. Nunca te quero deixar ir.
Sabes um dia ainda vou escrever um livro com a nossa história. Um dia mais tarde, porque espero que por mais coisas que aconteçam vamos voltar sempre um para o outro. E espero passar o resto da minha vida contigo.
Por último, peço desculpa por tudo aquilo que já te fiz passar.
Amo-te muito e prometo-te que vou fazer de tudo para não te magoar. E se o fizer não me vou perdoar.
És o meu anjo, o meu amor verdadeiro, o tal para mim.
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