sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O último dia que te vi...

Existem dias que não se esquecem e este de certeza que não se vai apagar da minha memória.
Tinha 8 anos...
Já não te via há mais de 1 mês, a minha melhor amiga, a minha irmã, verdadeira, única,
O meu maior desejo durante todo este tempo era que ficasses bem, como por um enorme milagre, e ver-te entrar pela porta de casa. Estavas de volta.
Mas isso nunca aconteceu...
Lembro-me bastante bem deste dia.
Fui com o meu avô, a alegria que possuía de te ir ver era imensa.
Conhecia aquele hospital como a palma da minha mão, era uma segunda casa, foram 3 anos intensos.
Corri pelos corredores que também conhecia, subi no elevador até ao 7º andar voltei a correr até ao teu quarto. O nosso avô ficou para trás e a voz dele gritando pelo meu nome foi-se desvanecendo...
Abri a porta que nos separava. E tive o maior choque da minha vida.
A alegria que tinha depressa de transformou em lágrimas de tristeza. A minha irmãzinha estava irreconhecível. A minha pequenina.
Sabia que estavas doente, sabia que estavas em fase terminal. Mas existe sempre aquela pequena esperança que tudo vai ficar bem, que tudo vai melhorar.
Já não vias como deve ser, já não falavas. Mas ouvias e ouviste eu a chamar por ti antes de entrar no quarto.
Reconheceste a minha voz. Mesmo já sem te conseguires mexer, levantas-te. Mesmo já sem conseguires falar, disseste "Raqué, vieste me ver!".
Queria-me abraçar a ti, mas não me deixaram. Queria te dar um beijinho, mas não me deixaram. Tudo porque o teu pequenino corpo, estava coberto por aquela malvada e horrível doença.
Foram poucos os minutos que estive naquele quarto. Fui obrigada a sair.
Não fui para casa da mesma maneira que vim.
Foi naquele dia que percebi que não iria haver solução. Que percebi que não ias voltar para casa. E por último percebi que nunca mais te iria voltar a ver.
Foi o último dia que ti e vai ficar marcado na minha memória até ao resto da minha vida.

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